Há momentos na vida, poucos é certo, em que tudo que é verdade parece não fazer sentido. Ontem o jovem rapaz teve essa sensação.
Sempre distraído, com a cabeça planando por entre sonhos e lembranças, voltava para casa tarde da noite, já com o sorriso cansado e o corpo implorando por um banho. Enquanto esperava no ponto de ônibus, como em cada momento inerte de sua vida, ele se colocou a pensar em sua amada. Era um pensamento que gostava de ter, mesmo que não fosse correspondido, aquele amor o tornava especial. Pois ao lembrar-se do perfume dela, dos olhos castanhos, dos braços que se cruzavam para envolvê-lo de ternura, ele sentia-se o homem “quase” mais sortudo do mundo, uma vez que, se existia algum conceito de beleza, certamente ele o conhecia em carne e osso.
Porém, sem respeitar quaisquer crenças que o rapaz possuía, o destino colocou ao seu lado naquela noite uma garota, bonita, dessas que refazem conceitos sem ao menos perceber. Quando ele a olhou, algo mudou. Ele não pode notar o que mudara, pois seus olhos pareciam ter vontade própria e nada mais queriam além de contemplá-la, mas por de trás da feminina silhueta, as estrelas da noite se moveram para se adaptar ao novo universo que estava sendo criado, um novo universo com um novo centro, e tudo que é belo fez o mesmo.
Quando a bela desconhecida subiu em seu ônibus e partiu, deixou para trás um novo conceito que o jovem rapaz jamais havia imaginado existir. Ele não conseguia mais pensar em sua amada como antes. Procurou respostas, inventou justificativas, mas agora como poderia desejar tão pouco depois de ter vislumbrado o verdadeiro brilho da lua? Não podia.
Voltou para casa com uma dúvida da qual já sabia a resposta, só não queria aceitar. Pegou o celular para falar com sua amada...não havia crédito.
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