Partindo deste ponto podemos analisar melhor a questão de como convivemos com isso. Sempre buscamos em um parceiro um ponto de admiração, que por sua vez pode ser em algo oposto (ausente) em nós mesmos, ou admiração por semelhança.
Quando o indivíduo possuí baixa alto-estima, por vezes materializada pela timidez, acaba admirando pessoas que se comunicam bem ou tem grande apelo social. Sendo assim "completado" pelo outro.
Esse tipo de relação não tem suporte para a individualidade, e isso é deveras prejudicial. A característica de uma acaba estimulando a pior característica do outro e não há crescimento e auto-conhecimento. A timidez de um só aumenta a tagarelice do outro, assim como a recíproca.
E uma questão muito pertinente é que a admiração muda conforme o tempo, pelos mais diversos motivos, hoje um individuo é de uma maneira, amanhã ele pode ser de outra...e se acaba a admiração, cai junto o amor. Pode ocorrer de um dos envolvidos evoluir mais (ou menos) que o outro, etc.
Entra aqui uma reflexão sobre a dor da ruptura, que não é a dor da solidão (que nos leva a procurar parceiros idiotas). A dor da ruptura acontece quando saímos daquela zona de conforto para uma nova situação. Todas as partes sentem essa dor, tanto quem saí da relação quanto quem é deixado. Por ser aguda, muitas vezes leva ao retorno da relação, porém não é o caminho mais apropriado, pois certamente a espaço não preenchido continuará não preenchido, apenas adiando uma nova ruptura.
Por isso, a admiração por semelhança tem sempre melhores perspectivas de futuro. Quando os objetivos são os mesmo, não há tantas concessões, que sempre são desgastantes. Não há conflitos em caminhos centrais, talvez sim em alguns pontos, mas nada tão gritante quanto a relação é de opostos.
Com a individualidade como prioridade, não há mais espaços para muitas concessões, para divergências de objetivos, para obrigações culturais impostas pela sociedade. Hoje não se é mais obrigado a casar, ou permanecer casado, para ser bem-visto moralmente na sociedade.
O individualismo talvez não seja tão ruim quanto o pensamento coletivo desdenhe, pelo contrário, pensar primeiro em si leva ao auto-conhecimento e à relações mais voltadas para a afinidade intelectual, consequentemente ao crescimento e desenvolvimento de ambos.
Opostos se atraem, gerando a inércia.