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6.12.10

Ensaios sobre meu domingo

Era uma vez uma menina, de alma leve e pura como uma gota de orvalho. Ela saía todos os dias para comprar legumes na aldeia, e no caminho sempre encontrava o menino apaixonado. Esse menino apaixonado era tão bom e puro quanto a menina, e em todas as ocasiões possíveis demonstrava seu amor com atos de gentileza para com ela. De forma agradável, ela retribuía com palavras carinhosas de agradecimento. Como incentivo aos atos cordiais do menino, ela dizia que, se um dia se casasse, seria com alguém bondoso, honesto e gentil. E assim ela proclamava a todos que a pudessem ouvir, se casaria com um homem bondoso, honesto e gentil.

Depois de comprar seus legumes, a menina voltava para casa pela estrada de terra batida, evitando atalhos pela floresta densa. Quando se encontrava no conforto e segurança do lar, iniciava atos libidinosos com o lenhador musculoso que a aguardava deitado no leito de sua cama.



Às vezes a vida é bonita. Quase sempre quando contada por alguém.



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Era domingo, aquele marasmo, e tudo que ele queria era algo para fazer.
Quando o telefone tocou com o nome dela piscando no celular, um sorriso quase psicótico se abriu, "Adeus tédio" ele disse. Confirmou em sua agenda se tinha tempo livre, só para fazer charme, e acertou com ela de se encontrarem no shopping.

Perfume, gel, Halls preto no bolso. Chegando lá cumprimentos, sorrisos e aquele clima descontraído. "Vamos tomar um sorvete" era o que ele queria fazer, nossa que calor. Mas ela ia dar um gelo nele, ah coitado. Disse que estava esperando mais alguém, "tipo assim, alguém um pouco mais que um amigo".

Eita, desculpas ela tentou acrescentar olhando para o chão, no mesmo instante em que notou que ele já olhava para o chão desde que começou o assunto. "Poxa, acho que alguma coisa caiu de mim".

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"Não se preocupe, a vida também não foi sensata comigo."

Diego Suzuki