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20.12.10

Abigail,

...era noite de outono, e o vento sussurrava sua fria e melancólica melodia...

Eu estava dormindo (ou pelo menos acho que estava), o clima agradável e minha coberta combinando perfeitamente com o frio. Com exceção do chiado do vento, nada mais se escutava do lado de fora. Até que uma batida seca cortou a monotonia.

Acordei confuso, a remela nos olhos turvando minha visão, todos estavam dormindo mais profundamente do que eu, então resolvi verificar por conta própria...não imaginava o que me aguardava.

Saí do quarto sem acender a luz, passos cegos em meio à bagunça, caminhei com cautela até a porta da sala. Abri o vidro da porta para espiar para fora, na esperança de não ser nada e poder voltar para minha cama, então uma luz cruzou o quintal. Não muito rápida, nem muito forte, apenas uma luz de brilho incomum que passeou pelo ar até parar atrás do limoeiro. Que merda, foi o que  pensei. Abri a porta lentamente, procurei com o olhar pelos temidos “cães de guarda” que consumiam tanta ração – cadê eles quando se precisa? -, não os encontrei. Segui até o ponto luminoso, ainda meio zonzo de sono...e lá estava ela...



Continua...

6.12.10

Ensaios sobre meu domingo

Era uma vez uma menina, de alma leve e pura como uma gota de orvalho. Ela saía todos os dias para comprar legumes na aldeia, e no caminho sempre encontrava o menino apaixonado. Esse menino apaixonado era tão bom e puro quanto a menina, e em todas as ocasiões possíveis demonstrava seu amor com atos de gentileza para com ela. De forma agradável, ela retribuía com palavras carinhosas de agradecimento. Como incentivo aos atos cordiais do menino, ela dizia que, se um dia se casasse, seria com alguém bondoso, honesto e gentil. E assim ela proclamava a todos que a pudessem ouvir, se casaria com um homem bondoso, honesto e gentil.

Depois de comprar seus legumes, a menina voltava para casa pela estrada de terra batida, evitando atalhos pela floresta densa. Quando se encontrava no conforto e segurança do lar, iniciava atos libidinosos com o lenhador musculoso que a aguardava deitado no leito de sua cama.



Às vezes a vida é bonita. Quase sempre quando contada por alguém.



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Era domingo, aquele marasmo, e tudo que ele queria era algo para fazer.
Quando o telefone tocou com o nome dela piscando no celular, um sorriso quase psicótico se abriu, "Adeus tédio" ele disse. Confirmou em sua agenda se tinha tempo livre, só para fazer charme, e acertou com ela de se encontrarem no shopping.

Perfume, gel, Halls preto no bolso. Chegando lá cumprimentos, sorrisos e aquele clima descontraído. "Vamos tomar um sorvete" era o que ele queria fazer, nossa que calor. Mas ela ia dar um gelo nele, ah coitado. Disse que estava esperando mais alguém, "tipo assim, alguém um pouco mais que um amigo".

Eita, desculpas ela tentou acrescentar olhando para o chão, no mesmo instante em que notou que ele já olhava para o chão desde que começou o assunto. "Poxa, acho que alguma coisa caiu de mim".

2.12.10

Hoje quero ser um umbigo

Tenho meia-dúzia de pessoas especiais, estou feliz. Tenho 6 bilhões de pessoas desconhecidas, está tudo certo.
No mundo carismático dos negócios, quem tem essa noção que exagero populacional consegue ganhar mais dinheiro. Vender para 6 bilhões dá muito mais certo do que vender para um público específico, é óbvio, abra sua Coca-cola e não me contrarie.

Só que fora do capitalismo radical, ter muitas pessoas pode ser desgastante. Principalmente porque a maioria delas só se preocupa com uma coisa, o umbigo. Ah, eu queria ser um umbigo, tudo parece girar em torno deles. Estou falando isso porque sou um cara legal, entretanto me canso das pessoas só pensando em seus umbigos. Sei que não sou bonito como um, nem cheiroso como tal, mas os Diegos também tem sentimentos.

Ontem recebi uma mensagem, "kero muito que vc venha" dizia nela, um convite para algo totalmente inútil e prazeroso. Foi o melhor elogio que recebi em muito tempo, alguém querendo compartilhar algo legal comigo, me senti o próprio umbigo da pessoa.

Essas coisas eu valorizo muito, quando alguém lembra de mim além das horas de necessidade, eu lembro dessa pessoa também. Estranhamente isso só ocorre com aquelas meia-dúzia de pessoas especiais. Triste. Umbigos prevalecem.

24.11.10

Do próximo ao próximo

Hoje fui massagear meu ego-social. Ou como diriam os caras do Criança Esperança, fui fazer trabalho voluntário.

Pensar no próximo é tão nobre que fica bonito na parede da sala. Tenho que dizer, esse negócio de voluntariado ainda é muito discutível. Tem gente que parece ter saído da teledramaturgia brasileira e acredita piamente que é tudo em prol dos menos favorecidos....por outro lado tem uns caras, mais sinceros eu diria, que vêem interesses subliminares nessas ações. Eu sou o meio termo.
Trabalho voluntário é bom pra todo mundo, não é nenhum martírio para o bom samaritano que vai lá ajudar o próximo, mas também não fica simplesmente no "estamos usando os pobres para melhorar nossa imagem". Como tudo de bom nessa vida, é uma relação de ganha-ganha.

Mas sabe, fico meio triste quando faço esses trabalhos, pois vejo que tem gente que não sabe aproveitar sua parte no ganha-ganha (ou não quer)...bom, eu estou evoluindo com isso, quem quiser aproveitar que aproveite...

23.11.10

Ser legal implica no péssimo hábito de fazer amigos. Sempre.
Vamos definir o que é "amizade" do ponto de vista cético-asiático-coração-de-gelo que não me diz respeito, diga-se de passagem.

Estar disponível a qualquer momento para ouvir qualquer besteira, seja de madrugada, seja sobre feijões de todos os sabores. Isso é ser amigo.
Ajudar incondicionalmente o(a) amigo(a) se ferrar caso ele(a) queira, e depois engolir a seco o amargo "eu te avisei", temperado com sentimento de culpa. Isso também é ser amigo.
Pular de para-quedas e assobiar A Ponte do Rio Kawai a 4 mil metros de altura. Isso, bom, isso é ser descolado.

Amizade é o tipo de trabalho que não dá trabalho, mas exige trabalho.
Tá complicado? E nem começamos a falar de amor, ou rimas do Jorge Ben Jor.

12.11.10

Desafios Diários

Ontem venci um desafio pessoal. Não há vitória melhor, mais saborosa.
Sou muito disso, encarar de frente algum problema bizarro que aparentemente não terá sentido em minha vida...mas tem. E isso me engrandece como ser pensante, como animal superior aos golfinhos.
Ontem, depois de muito exigir de meus neurônios, consegui escrever um poema de 3 estrofes com 3 versos cada. Confesso, não imaginei ser tão difícil.

Dizem que ela é louca,
séria como poucas.
Teorias para todas ocasiões.

Mas veja bem, a melhor das companhias,
é claro que não poderia
ser mais uma nas multidões.

E pelo pouco que conheço,
logo afirmo, não te esqueço.
Tamiris, seus olhares e suas canções...

Pan panamerico ♫

11.11.10

Gabriel Potter - e o Cale-se Priscila (cap 2)

O movimento inesperado da escada revelou algo oculto que chocou a todos ali.

- Catrica mano, o que é essa múmia aqui embaixo! – exclamou Fatutifrutti.

- Pelas beterrabas da minha mãe, é a múmia de Valdemir, meu arqui-vilão mortal. – disse Gabriel Potter.

Nisso, o corpo milenar se move e olha para Potter. Um olhar nevasto e penetrante que congela a espinha do jovem rapaz em um miléssimo de segundo. É treta. Gabriel, em um extinto de sobrevivência latente, puxa sua varinha e com o movimento mais homossexual da história das novelas, profere as palavras mágicas.

- Pelos poderes de GreySkull! Eeeeuuuu teeeenho a FORÇA!

Explosão calendoscópica. O desajeitado novato se torna um guerreiro viril só de tanguinha, e o que todos achavam ser apenas mais um conto infanto-juvenil, vira um metal-espadinha de proporções exageradas.

- Tchu ruru ruru, tchutchu ruru ruru, tchu ruru ruru ruruuuum...Vou acabar com seu reinado de terror Valdemir. O bem triunfará nas terras dos homens de boa vontade.

- Tolo Gabriel, não percebeu que acabou de cair em minha armadilha? – ironiza Valdemir enquanto aperta o botão vermelho na parede ao lado.

O pior acontece, todos os alunos ali acabam sendo presos pelo raio de gravidade-total, e ficam imóveis estirados no chão a merce da múmia. Porém, muito além, pra lá do imaginável, o plano do vilão começava a dar errado. O raio era deveras forte, a gravidade da coisa estava muito alta, e logo todos estavam deprimidos, inclusive ele.

- Que puxa mano...olha só pra mim, 4 mil anos com as mesmas ataduras...eu quero mais é que...ops! – sem querer, Valdemir tropeça nas própria bandagens, rolando para cima da varinha de Potter, que lança uma magia defensiva ao léu. A magia se choca com o raio de gravidade-total, gerando um vortéx bidimensional de alta periculosidade. Todos iriam morrer e acabar com a história.

- E agora, quem poderá nos proteger?! - soluça Priscila Maria.

- EU!



Continua.

4.11.10

Gabriel Potter - e o Cale-se Priscila (cap 1)

Gabriel era especial, seu sobrenome, além de muitas piadas, trazia um grande passado e mistérios. Era seu primeiro ano na empresa de magia verde Gpaschoal, onde jovens aprendiam artes milenares.
Ainda não conhecia ninguém ali, porém sua atenção logo foi roubada por uma garota que sentou ao seu lado.

Priscila era a menina estr...diferente. Seus pouco mais de 1,5m de altura lhe permitiam um ar muito arrogante, mas por dentro batia um coração dengoso e repleto de amizade. Ao ver o novato sozinho temperando o mamão, resolveu se aproximar carinhosamente e fazer amizade.

- Hei seu troxa! – chamou-o Priscila Maria. – Vamos almoçar juntos?

- Troxa?! Olha, eu sei que sou meio introvertido e ....

- Não, troxa é quem não sabe usar magia. – explicou-lhe – Você tem uma varinha?

- Eu sabia. Tenho sim, quer “magicar” depois do almoço? – Gabriel a convidou.

Aceitando o convite bizarro, os dois desceram para o salão externo, onde havia espaço para “magicar” a vontade. Porém, lá também estavam os dois meninos mais malvadinhos do terceiro piso, que logo começaram a aloprar a duplinha de montão.

- Olha, se não é o famoso Gabriel Potter. – se aproximou Adilson Valentão – “Potter”certeza que já esperávamos por alguém tão esquisito. Haá hahaha.

- Haá, muito bom Dil. – incentivou Bruno Fatutifrutti.

- Escuta aqui garoto, você pode parar com isso, tá? O Gabriel tem um problema de saúde, não pode ficar zuando ele assim. – defendeu Priscila.

- Eu não tenho não.

- Ahh ta...

Mas Adilson não estava nem aí, queria encrenca, e encrenca em dobro. Puxou sua varinha para um duelo, e rapidamente todos estavam em posição de combate, ia voar confete para todos os lados. Mas nesse momento algo inesperado aconteceu. As escadas se moveram de lugar, e revelaram um alçapão secreto, onde eles viram algo que os colocaria na maior aventuras de todas.

- Santa Rita Lee... Como é que isso veio parar aqui?!





Continua

3.11.10

Chororo I

Voltando, hoje, a rotina após o feriado para o dia-a-dia, surpreso descubro que organizar me é uma prioridade. Mal as palavras saem na ordem que desejo.

Estou bagunçado, disciplina japonesa típica de mim foge à galope. Vou me aprumar.

Agora colocando meus pensamentos à limpo (e o vocabulário nos eixos), preciso mesmo me organizar. Todas as metas que fiz no começo do ano estão sendo cumpridas, falta pouco, mas é um pouco que está dando trabalho. Gostaria muito de receber apoio, entretanto, é uma lástima do destino, mas parece que meu caminho é ajudar, e não ser ajudado.

Eu queria muito sinceridade, ajudaria demais.

11.10.10

Sobre a maturidade

Sábado, dia 9, fui convidado para um casamento. Um casamento muito especial, diga-se de passagem. Desenterrei meu sobretudo do guarda-roupa, gel no cabelo, brilho maroto no olhar. Modéstia a parte, eu estava bacanão.
Dançando na festa, eis que uma menina (6 ou 7 anos) me puxa e pergunta: "Você é um espião?". Eu não estava para brincadeiras. Olhei firme para os olhos dela e respondi: "Não...sou um agente secreto."
Pronto, estava armada a confusão. Tive que ajudar a menina a salvar o mundo e prender um monte de bandidos a noite inteira.

Eu não sou muito fã de crianças, nem de adolescentes, nem de bichinhos, mas gosto menos ainda de pseudo-adultos, que dizem que é falta de maturidade brincar e coisas do tipo. Defendem que temos que aproveitar a idade em que vivemos, se divertir com os amigos nos bares, sinuca, um adulto tem conversas de adulto...Para os que pensam assim, meus pêsames.
Vejo a vida como uma viajem no tempo (que um dia certamente irá acabar), e durante todo o percurso temos experiências boas e ruins. Por que não levar as experiências boas conosco? Tenho mesmo que deixar o passado para aproveitar o presente? Para mim, isso é apenas uma limitação. Dá para abrir o jornal, ler a parte de economia, de política, e depois os quadrinhos.
Ultimamente tenho me deparado bastante com esse tipo de comentário, "que coisa infantil", triste, pois cada vez que alguém fala isso morre uma fada.

Bom, cada um com seu ponto de vista, quem sou eu para julgar.
Mas prefiro continuar a rir, a brincar, a rimar
no fim de cada postagem
mesmo que falando um monte de bobagem.

A página em branco

Bom, vamos iniciar este blog então. Depois de tanto ensaio, de inúmeras ideias perdidas ao vento, piadas sem graça, vou começar a colocar os pensamentos aqui.
Sinceramente não sei o nível de besteiras que este blog poderá alcançar, mas sempre que pego uma folha em branco espero que nela seja criado algo, ao menos, melhor que a própria folha em branco. Logo, esperança é o que não me falta para este projeto maravilhoso, estupendo, pomposo.

Porém realmente não sei ainda o que registrar aqui (só sei que será ultra fantástico). Talvez reflexões, talvez desabafos, quem sabe receitas de bolos da vovó...
Só sei que, se você está lendo isso, provavelmente irá descobrir que sou muito mais do que um corpinho bonito e sensual. Que bate um coração latino americano caliente por debaixo desta cútis oriental.

Não se desespere.
"Não se preocupe, a vida também não foi sensata comigo."

Diego Suzuki