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17.4.11

O relacionamento: quando os opostos se atraem.

O amor surge da admiração.
Partindo deste ponto podemos analisar melhor a questão de como convivemos com isso. Sempre buscamos em um parceiro um ponto de admiração, que por sua vez pode ser em algo oposto (ausente) em nós mesmos, ou admiração por semelhança.

Quando o indivíduo possuí baixa alto-estima, por vezes materializada pela timidez, acaba admirando pessoas que se comunicam bem ou tem grande apelo social. Sendo assim "completado" pelo outro.
Esse tipo de relação não tem suporte para a individualidade, e isso é deveras prejudicial. A característica de uma acaba estimulando a pior característica do outro e não há crescimento e auto-conhecimento. A timidez de um só aumenta a tagarelice do outro, assim como a recíproca.

E uma questão muito pertinente é que a admiração muda conforme o tempo, pelos mais diversos motivos, hoje um individuo é de uma maneira, amanhã ele pode ser de outra...e se acaba a admiração, cai junto o amor. Pode ocorrer de um dos envolvidos evoluir mais (ou menos) que o outro, etc.

Entra aqui uma reflexão sobre a dor da ruptura, que não é a dor da solidão (que nos leva a procurar parceiros idiotas). A dor da ruptura acontece quando saímos daquela zona de conforto para uma nova situação. Todas as partes sentem essa dor, tanto quem saí da relação quanto quem é deixado. Por ser aguda, muitas vezes leva ao retorno da relação, porém não é o caminho mais apropriado, pois certamente a espaço não preenchido continuará não preenchido, apenas adiando uma nova ruptura.

Por isso, a admiração por semelhança tem sempre melhores perspectivas de futuro. Quando os objetivos são os mesmo, não há tantas concessões, que sempre são desgastantes. Não há conflitos em caminhos centrais, talvez sim em alguns pontos, mas nada tão gritante quanto a relação é de opostos.

Com a individualidade como prioridade, não há mais espaços para muitas concessões, para divergências de objetivos, para obrigações culturais impostas pela sociedade. Hoje não se é mais obrigado a casar, ou permanecer casado, para ser bem-visto moralmente na sociedade.

O individualismo talvez não seja tão ruim quanto o pensamento coletivo desdenhe, pelo contrário, pensar primeiro em si leva ao auto-conhecimento e à relações mais voltadas para a afinidade intelectual, consequentemente ao crescimento e desenvolvimento de ambos.

Opostos se atraem, gerando a inércia.

7.2.11

Um novo universo

Há momentos na vida, poucos é certo, em que tudo que é verdade parece não fazer sentido. Ontem o jovem rapaz teve essa sensação.

Sempre distraído, com a cabeça planando por entre sonhos e lembranças, voltava para casa tarde da noite, já com o sorriso cansado e o corpo implorando por um banho. Enquanto esperava no ponto de ônibus, como em cada momento inerte de sua vida, ele se colocou a pensar em sua amada. Era um pensamento que gostava de ter, mesmo que não fosse correspondido, aquele amor o tornava especial. Pois ao lembrar-se do perfume dela, dos olhos castanhos, dos braços que se cruzavam para envolvê-lo de ternura, ele sentia-se o homem “quase” mais sortudo do mundo, uma vez que, se existia algum conceito de beleza, certamente ele o conhecia em carne e osso.

Porém, sem respeitar quaisquer crenças que o rapaz possuía, o destino colocou ao seu lado naquela noite uma garota, bonita, dessas que refazem conceitos sem ao menos perceber. Quando ele a olhou, algo mudou. Ele não pode notar o que mudara, pois seus olhos pareciam ter vontade própria e nada mais queriam além de contemplá-la, mas por de trás da feminina silhueta, as estrelas da noite se moveram para se adaptar ao novo universo que estava sendo criado, um novo universo com um novo centro, e tudo que é belo fez o mesmo.

Quando a bela desconhecida subiu em seu ônibus e partiu, deixou para trás um novo conceito que o jovem rapaz jamais havia imaginado existir. Ele não conseguia mais pensar em sua amada como antes. Procurou respostas, inventou justificativas, mas agora como poderia desejar tão pouco depois de ter vislumbrado o verdadeiro brilho da lua? Não podia.

Voltou para casa com uma dúvida da qual já sabia a resposta, só não queria aceitar. Pegou o celular para falar com sua amada...não havia crédito.

20.12.10

Abigail,

...era noite de outono, e o vento sussurrava sua fria e melancólica melodia...

Eu estava dormindo (ou pelo menos acho que estava), o clima agradável e minha coberta combinando perfeitamente com o frio. Com exceção do chiado do vento, nada mais se escutava do lado de fora. Até que uma batida seca cortou a monotonia.

Acordei confuso, a remela nos olhos turvando minha visão, todos estavam dormindo mais profundamente do que eu, então resolvi verificar por conta própria...não imaginava o que me aguardava.

Saí do quarto sem acender a luz, passos cegos em meio à bagunça, caminhei com cautela até a porta da sala. Abri o vidro da porta para espiar para fora, na esperança de não ser nada e poder voltar para minha cama, então uma luz cruzou o quintal. Não muito rápida, nem muito forte, apenas uma luz de brilho incomum que passeou pelo ar até parar atrás do limoeiro. Que merda, foi o que  pensei. Abri a porta lentamente, procurei com o olhar pelos temidos “cães de guarda” que consumiam tanta ração – cadê eles quando se precisa? -, não os encontrei. Segui até o ponto luminoso, ainda meio zonzo de sono...e lá estava ela...



Continua...

6.12.10

Ensaios sobre meu domingo

Era uma vez uma menina, de alma leve e pura como uma gota de orvalho. Ela saía todos os dias para comprar legumes na aldeia, e no caminho sempre encontrava o menino apaixonado. Esse menino apaixonado era tão bom e puro quanto a menina, e em todas as ocasiões possíveis demonstrava seu amor com atos de gentileza para com ela. De forma agradável, ela retribuía com palavras carinhosas de agradecimento. Como incentivo aos atos cordiais do menino, ela dizia que, se um dia se casasse, seria com alguém bondoso, honesto e gentil. E assim ela proclamava a todos que a pudessem ouvir, se casaria com um homem bondoso, honesto e gentil.

Depois de comprar seus legumes, a menina voltava para casa pela estrada de terra batida, evitando atalhos pela floresta densa. Quando se encontrava no conforto e segurança do lar, iniciava atos libidinosos com o lenhador musculoso que a aguardava deitado no leito de sua cama.



Às vezes a vida é bonita. Quase sempre quando contada por alguém.



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Era domingo, aquele marasmo, e tudo que ele queria era algo para fazer.
Quando o telefone tocou com o nome dela piscando no celular, um sorriso quase psicótico se abriu, "Adeus tédio" ele disse. Confirmou em sua agenda se tinha tempo livre, só para fazer charme, e acertou com ela de se encontrarem no shopping.

Perfume, gel, Halls preto no bolso. Chegando lá cumprimentos, sorrisos e aquele clima descontraído. "Vamos tomar um sorvete" era o que ele queria fazer, nossa que calor. Mas ela ia dar um gelo nele, ah coitado. Disse que estava esperando mais alguém, "tipo assim, alguém um pouco mais que um amigo".

Eita, desculpas ela tentou acrescentar olhando para o chão, no mesmo instante em que notou que ele já olhava para o chão desde que começou o assunto. "Poxa, acho que alguma coisa caiu de mim".

2.12.10

Hoje quero ser um umbigo

Tenho meia-dúzia de pessoas especiais, estou feliz. Tenho 6 bilhões de pessoas desconhecidas, está tudo certo.
No mundo carismático dos negócios, quem tem essa noção que exagero populacional consegue ganhar mais dinheiro. Vender para 6 bilhões dá muito mais certo do que vender para um público específico, é óbvio, abra sua Coca-cola e não me contrarie.

Só que fora do capitalismo radical, ter muitas pessoas pode ser desgastante. Principalmente porque a maioria delas só se preocupa com uma coisa, o umbigo. Ah, eu queria ser um umbigo, tudo parece girar em torno deles. Estou falando isso porque sou um cara legal, entretanto me canso das pessoas só pensando em seus umbigos. Sei que não sou bonito como um, nem cheiroso como tal, mas os Diegos também tem sentimentos.

Ontem recebi uma mensagem, "kero muito que vc venha" dizia nela, um convite para algo totalmente inútil e prazeroso. Foi o melhor elogio que recebi em muito tempo, alguém querendo compartilhar algo legal comigo, me senti o próprio umbigo da pessoa.

Essas coisas eu valorizo muito, quando alguém lembra de mim além das horas de necessidade, eu lembro dessa pessoa também. Estranhamente isso só ocorre com aquelas meia-dúzia de pessoas especiais. Triste. Umbigos prevalecem.
"Não se preocupe, a vida também não foi sensata comigo."

Diego Suzuki